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Monday, March 11, 2013

Opinião: Shadow and Bone

Título: Shadow and Bone (primeiro volume da trilogia The Grisha)
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Henry Holt and Company

Sinopse: Surrounded by enemies, the once-great nation of Ravka has been torn in two by the Shadow Fold, a swath of near impenetrable darkness crawling with monsters who feast on human flesh. Now its fate may rest on the shoulders of one lonely refugee.

Alina Starkov has never been good at anything. But when her regiment is attacked on the Fold and her best friend is brutally injured, Alina reveals a dormant power that saves his life—a power that could be the key to setting her war-ravaged country free. Wrenched from everything she knows, Alina is whisked away to the royal court to be trained as a member of the Grisha, the magical elite led by the mysterious Darkling.

Yet nothing in this lavish world is what it seems. With darkness looming and an entire kingdom depending on her untamed power, Alina will have to confront the secrets of the Grisha…and the secrets of her heart.

Opinião: Leigh Bardugo arranjou em mim mais uma fã. Shadow and Bone é um daqueles livros cuja premissa já nos deixa entusiasmados por si só, um daqueles livros que, assim que começamos a ler, percebemos que não nos vai desiludir.

A autora tem uma escrita que muito me agradou, narrando todos os acontecimentos de forma fluída e elegante, tendo uma particular beleza, um brilho muito próprio, especialmente notório nas descrições que, apesar de feitas sob o olhar da nossa protagonista Alina, detêm uma atmosfera muito pouco usual e que chega quase a raiar a beleza fantasiosa dos contos de fadas, conseguindo, ainda assim, manter um tom veladamente duro sob todo aquele manto de pureza.

Gostei ainda imenso do espaço onde a história se passa: Ravka, um reino inspirado na Rússia do século XVIII sendo uma lufada de ar fresco no campo da fantasia (dado que esta se passa, quase sempre, numa Europa da Idade Média) que muito me alegrou.

No que concerne ao enredo, este é absolutamente fantástico! Sendo desenvolvido com o à vontade e mestria próprios de uma boa contadora de histórias, este envolve-nos por completo, submergindo-nos na sua complexidade e deixando-nos com o sentimento de que pertencemos àquele mundo... De que conhecemos aquela sociedade e personagens, de que estamos a viver todas aquelas situações, levando-nos a sorrir com Alina, a corar com ela, a apaixonarmo-nos ao mesmo tempo que ela e, no fim, a chorarmos com e por ela.

No que diz respeito às personagens, estas são todas absolutamente bestiais de acompanhar. Alina é uma heroína complexa e multifacetada, muito longe de ser perfeita e tão carregada de qualidades e defeitos como qualquer pessoa real. É uma personagem que cresce imenso perante os nossos olhos ao longo de todo o livro, indo desde uma rapariga triste, só, frágil, vivendo presa a um passado cheio de vivências e a um amor que não é correspondido e que a faz sofrer, amedrontada pelo seu poder e incapaz de se desprender daquilo que a constringe a uma jovem alegre, ainda que facilmente manipulável devido ao seu desejo ardente de pertencer a algum lugar e de agradar, sonhadora, com noções fantasiosas da realidade e do seu futuro, apaixonada por um e rendida aos encantos e sensualidade de um outro, até chegarmos à rapariga poderosa, confiante, de inteligência viva, endurecida pela realidade e pelos acontecimentos, capaz de tomar as decisões difíceis que as situações exigem, mais soturna do que no início mas que conseguiu reter um pouco da sua vivacidade (ainda que apenas a vejamos de quando em quando), capaz de ver realmente o mundo que a rodeia e que acaba por se tornar numa sobrevivente nata.

Para além dela, tenho de mencionar Mal, melhor amigo de Alina e por quem está apaixonada há já alguns anos. Um rapaz bonito, lutador por natureza, com uma sensibilidade aguçada para o mundo que o rodeia e protetor, ainda que se me afigure como alguém que acaba por não entender verdadeiramente Alina pois não consegue compreender o seu poder, e que a limita e confina.

Existe, por fim, o Darkling, o vilão do livro e que é absolutamente delicioso. Complexo e com inúmeras facetas, é um homem poderoso, ambicioso, sedutor, cruel, frio, distante, afoito e confiante, ainda que talvez um pouco marcado pela vida e pelo mundo. É alguém que, contrariamente a Mal e apesar de estar longe de ser um ícone de bondade ou moralidade, parece perceber melhor Alina e o seu potencial, sendo alguém que a faz mostrar-se em toda a sua grandiosidade e poder. Alguém que não a retém mas que a empurra para frente! Ainda que talvez pelas razões erradas e através de métodos menos puros, ou justos ou agradáveis ou até mesmo corretos, que o desejável...

Um outro detalhe de que gostei imenso foi o facto de Alina não ser bonita: é uma rapariga simples, com cabelos castanhos lisos e sem grande volume, olhos que não se destacam e uma figura demasiado magra e sem nada de atrativo. Gostei deste pormenor porque, contrariamente à norma que se tem vindo a estabelecer na literatura fantástica, é uma jovem que não é nenhuma beleza rara, que tem problemas com a sua imagem e que se assemelha muito mais a uma rapariga normal do que aquelas protagonistas sempre tão belas com que nos deparamos com imensa frequência.

Numa nota final, quero mencionar o quanto gosto  da forma como  autora se apodeou do conceito normal de magia e o alterou, colocando-lhe regras, limites e noções diferentes das que usualmente nos são apresentadas.

Um livro absolutamente brilhante que ganhou, sem dúvida alguma, um lugar entre os meus favoritos. Dou-lhe 5 de 5★!